Soul & Meditation

Illustrating Anxiety

(for the english version, please scroll down)

anxiety

(via Google)

No outro dia estava a ler as últimas notícias na versão digital da revista SELF, quando me deparei com um artigo bastante interessante.

The other day I was reading the latest news in the digital version of SELF magazine when I came across a very interesting article.

O artigo falava do trabalho inspirador da fotógrafa Katie Joy Crawford e da sua vida pessoal e experiência com a doença mental que ela usou como assunto para a sua tese. O resultado é My Anxious Heart, uma coleção de fotografias que ilustra vários aspectos da viagem emocional que é lidar com a doença mental.

The article was about the inspiring work of photographer Katie Joy Crawford and her personal life and experience with mental illness that she used as a subject for her thesis. The result is My Anxious Heart a collection of photographs illustrating various aspects of the emotional journey that is dealing with mental illness.

 

Nas palavras da própria “a ansiedade impede o sofredor de sentir o risco da descoberta, o desejo de explorar novas ideias e a possibilidade de existir uma zona de conforto. Ela garante que nunca estarás sozinho. Ela encontra-te no meio da alegria ou sozinho na tua própria mente. Ela é silenciosa e consistente, relembrando-te dos teus falhanços no passado e fabricando os teus resultados futuros”.

In the words of the author “anxiety bars the sufferer from the risk of discovery, the desire to explore new ideas, and the possibility of exiting a comfort zone. It makes sure that it will never be alone. It finds you when you’re in the midst of joy, or alone in your own mind. It is quiet and steady, reminding you of your past failures, and fabricating your future outcomes”.

A autora fala de como servir de modelo para as suas próprias fotografias a ajudou a gerir os seus mecanismos de coping e de como a conversa sobre a ansiedade e a depressão mudaria substancialmente se mais pessoas se juntassem para partilhar as suas experiências.

The author talks about how posing as a model for the photos helped her with coping mechanisms and how talking about anxiety and depression would change substantially if more people come together to share their experiences.

 

Desta forma, gostava de partilhar a minha experiência pessoal com a ansiedade. Acho que desde pequena lido com a ansiedade mas só recentemente tomei consciência de como estava a afetar a minha vida e decidi consultar um psicólogo. Foi-me diagnosticado Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e passei 2 anos em terapia cognitivo-comportamental que me ajudou bastante a lidar com as várias vertentes da ansiedade, não só a física e fisiológica como a emocional, psicológica e mesmo social, que muitas vezes pode ser a mais difícil de gerir.

Therefore, I would like to share my personal experience with anxiety. I think that from an early age I knew I was anxious but only recently became aware of how it was affecting my life and decided to consult a psychologist. I was diagnosed with Generalized Anxiety Disorder (GAD) and spent two years in cognitive behavioral therapy that helped me a lot in dealing with various aspects of anxiety, not only the physical and physiological but the emotional, psychological and even social side, which may be the most difficult to manage.

 

É importante referir que existem várias situações em que todos nós experienciamos stresse e ansiedade, desde uma entrevista de trabalho, o dia de escola amanhã até a um encontro amoroso. Esta é a ansiedade e nervosismo normais que são proporcionais aos desafios quotidianos que encontramos e que passa uma vez passados os acontecimentos. Depois existe a ansiedade e stresse que alguns de nós experienciam em situações em que não é suposto, como sair de casa, andar de comboio ou ir até um restaurante.

It is important to note that there are several situations where we all experience stress and anxiety from a job interview, the school day tomorrow or a date. This is the normal anxiety and nervousness that are proportional to the daily challenges we encounter and it subsides once the events pass. Then there is the anxiety and stress that some of us experience in situations where it is not supposed to, like leaving the house, riding the train or going to a restaurant.

anxiety-1157437_1280.jpg

(via Pixabay)

Fisiologicamente

Isto acontece porque o nosso cérebro funciona mal, interpretando certas situações como perigosas quando na realidade não o são e desencadeando uma resposta de “luta ou fuga”. Em consequência, o sistema nervoso simpático entra em cena e o cortisol é produzido em excesso para manter o corpo neste estado. Quando a “ameaça” passa, aí o sistema nervoso parassimpático é responsável por devolver o corpo ao seu estado normal de equilíbrio.

Physiologically
This is because our brain malfunctions, interpreting certain situations as dangerous when in reality they are not and triggering a”fight or flight” response. Consequently, the sympathetic nervous system kicks in and cortisol is produced in excess to keep the body in this state. When the “threat” passes, then the parasympathetic nervous system is responsible for returning the body to its normal state of balance.

Fisicamente

As ramificações da ansiedade ou de um ataque de pânico são várias, desde o rápido batimento cardíaco, tonturas, dificuldade em respirar, suores, náusea, terror, claustrofobia, a sensação de que vamos morrer!

A verdade é que todos estas sensações acabam por passar em pouco tempo mas naquele momento parece que o mundo vai acabar e é difícil sair desse estado.

No dia a dia, temos dificuldade em dormir, preocupação excessiva, fadiga, inquietação, irritabilidade, problemas gastrointestinais, bruxismo e tensão muscular.

Physically
The ramifications of anxiety or a panic attack are varied, from the rapid heartbeat, dizziness, shortness of breath, sweating, nausea, terror, claustrophobia, the feeling that we will die!

The truth is that all these feelings end up passing but at the moment it seems like the world will end and it’s hard to leave this state.

On a daily basis, we have difficulty sleeping, excessive worry, fatigue, restlessness, irritability, gastrointestinal problems, bruxism and muscle tension.

Emocionalmente

Isto leva-nos a sentirmo-nos frequentemente tristes, perpetuamente questionando-nos “porque é que não posso ser normal?”, o que inevitavelmente afecta a nossa autoestima e capacidade para estarmos com outras pessoas porque tudo é o que queremos é estar na nossa zona de conforto onde nada de mal pode acontecer e onde podemos controlar o ambiente à nossa volta.

Emotionally
This leads us to feelings of frequent sadness, perpetually asking ourselves “why can’t I be normal?”, which inevitably affects our self-esteem and ability to be with other people because all we want is to be in our comfort zone where nothing bad can happen and where we can control the environment around us.

Socialmente

Como disse antes, acho que a vertente social é talvez das mais difíceis de gerir porque quando estamos sozinhos ou com pessoas que nos conheçam conseguimos fingir e conseguimos manter as aparências mas quando estamos num ambiente social que não controlamos e não sabemos o que pode acontecer, as coisas são diferentes, começamos a retrair-nos até deixarmos de ir à maior parte dos eventos, eventualmente perdendo algumas das situações mais memoráveis da nossa vida!

Socially
As I said before, I think the social aspect is perhaps the most difficult to manage because when we are alone or with people who know us, we can pretend and manage to keep up appearances but when we are in a social environment that we don’t control and don’t know what can happen, things are different, we begin to retract and even stop attending most events, possibly losing some of the most memorable situations of our lives!

Psicologicamente

E o pior é que nenhum de nós quer sentir-se assim! Todos gostávamos de ser despreocupados, viver ao sabor dos acontecimentos e deixar que a vida tome o seu curso, tomando as decisões quando é necessário e não três anos antes numa tentativa de planear o futuro.

No entanto, a ansiedade traduz-se num medo irracional e como tal, muitas vezes não conseguimos pensar, tudo fica desproporcionado!

Psychologically
What’s worse is that none of us want to feel like that! We all would like to be carefree, live as life happens and let life take its course, making decisions when necessary and not three years in advance in an attempt to plan ahead.

However, anxiety translates into an irrational fear and as such, we often can’t think, everything is exarcebated!

 

É verdade que podemos “culpar” a TAG numa série de fatores de risco, género, traumas de infância, doenças, traços de personalidade, genética, abuso de substâncias, ambiente familiar e laboral, entre outros.

It is true that we can “blame” GAD on a number of risk factors, gender, childhood traumas, illnesses, personality traits, genetics, substance abuse, family and work environment, among others.

Mas a mensagem que eu quero passar é de que não precisamos de ficar presos a um rótulo! Ok temos TAG agora, o que não quer dizer que lidemos com ela toda a vida; também não gosto de dizer que “sofro” de ansiedade porque me autointitulo como vítima e isso só perpetua os sentimentos de inadequação que já são exacerbados.

But the message I want to convey is that we don’t need to be attached to a label! Ok we are now dealing with GAD, which doesn’t mean that we will deal with it our whole lives; also I don’t like to say that I “suffer” with anxiety because it would mean I am a victim and it just perpetuates feelings of inadequacy that are already exacerbated.

 

Voltando um bocadinho à citação inicial da autora, a ansiedade até pode impedir-nos de sentir o risco da descoberta, até pode diminuir o desejo de explorar novas ideias e até pode retirar-nos a possibilidade de sentirmos uma zona de conforto. Ela até pode garantir que nunca estarás sozinho. Ela até te pode encontrar no meio da alegria ou sozinho na tua própria mente. Ela até pode ser silenciosa e consistente, relembrando-te dos teus falhanços no passado e fabricando os teus resultados futuros.

Going back to the initial quote, anxiety can prevent us from feeling the risk of discovery, can even decrease the desire to explore new ideas and can even remove from us the possibility of feeling we are in a comfort zone. It even can make sure we are never alone. It may even find you in the middle of joy or alone in your own mind. It can even be quiet and steady, reminding us of our past failures  and fabricating your future outcomes.

Ela está lá, não vai embora por agora e isso é um facto, mas a maneira como lidamos com ela é determinante para o nosso bem-estar! A terapia é uma enorme ajuda mas pode não ser para todos, experimenta o exercício físico para libertar frustrações, a meditação para acalmar a mente e não te esqueças que o ideal é ter uma alimentação equilibrada e um padrão de sono estável.

She’s there, won’t go away for now and that’s a fact, but how we deal with it is crucial for our well-being! Therapy is an enormous help but may not be for everyone, try exercise to release frustrations, meditation to calm the mind and don’t forget that the ideal is to have a balanced diet and a stable sleep.

maxresdefault

(via Google)

Diz-me o que achas nos comentários e se também lidas com TAG, quais são os teus mecanismos de coping?

Tell me what you think in the comments and if you also deal with GAD, what are your coping mechanisms?

 

https://www.instagram.com/focusonblurry/

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